terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Casa do Povo é uma coisa, a Câmara dos Vereadores de Franca é o oposto disso


Mais uma vez, alguns vereadores de Franca mostraram total despreparo e descaso com os cidadãos que resolvem se manifestar. Já não bastasse toda a energia que foi consumida contra o terrorista da pizza, que lançou uma pizza no plenário pelas portas laterais (as quais estão fechadas para prevenir qualquer tipo de violência como essa). Hoje, os agredidos da vez, com algo bem pior e mais indigesto que pizza, foram os servidores municipais da saúde pública, cuja reivindicação era a regularização da jornada de trabalho em 30 horas semanais.
Laercinho-PP foi o primeiro a se mostrar contra e chantageou descaradamente os trabalhadores ali presentes, dizendo em alguns momentos que ia votar a favor e em outros que ia votar contra a justa vontade dos presentes (que as atitudes do vereador dependem das oportunidades é óbvio há muito tempo, pois esse mesmo vereador chegou a falar que, caso a Delegada Graciela fosse eleita, ele não se sentiria constrangido em ser da base aliada dela), tudo porque recebeu uma merecida vaia logo no início do seu discurso patético. Chegou a falar, inclusive, que não dá pra trabalhar sob pressão (pra todo mundo ver o quanto a presença do povo na “casa do povo” incomoda). Ora, até onde eu sei, todas as conquistas do povo brasileiro se deram por meio de muita pressão popular e luta, não vieram da boa vontade de uma meia dúzia de engravatados. Um exemplo claro disso é a CEI do Transporte Público de Franca, que só saiu após muito barulho, mesmo assim, o que não faltou nesse dia foi manobra suja por parte dos vereadores da base aliada do prefeito.
Se alguém achou que as agressões verbais iriam se encerrar com o Laercinho estava muito enganado. Marco Garcia-PPS foi extremamente arrogante em sua fala, chamou os servidores de massa de manobra, como se os manifestantes não soubessem o motivo pelo qual estavam lá. Além disso, ofendeu um manifestante idoso, que reivindicava essa causa justa, o chamando de traidor e que perdeu seu cargo no governo por traição, por isso não estava numa boa dentro do governo. E com certeza fazer parte de um governo não é problema para o Marco Garcia. Não duvido nem um pouco que ele jamais trairia o prefeito e as pessoas pelas quais ele presta serviço com seu mandato. E os servidores municipais, será que ele trairia? Ah, meus caros, aí é outra história.
Após todas as patifarias Para piorar a situação, no meio do discurso, Marco Garcia alegou não ter rabo-preso com ninguém e que seu cordão umbilical era preso apenas a sua mãe. Assim, um manifestante e companheiro que estava ao meu lado, Thiago, apenas disse o seguinte para o vereador: “acho que o seu cordão está mais preso ao prefeito do que a sua mãe”. E Marco Garcia ainda afirmou que o prefeito era o seu amigo (aliás, com um amigo desse, nem de advogado o prefeito precisa). Incomodado com a consideração do manifestante, o assessor do vereador saiu do plenário e partiu para cima do Thiago, mas não houve confronto porque o ignorante foi contido.
Marco Garcia chegou a ameaçar o manifestante também, alegando que Thiago ofendeu a mãe dele, numa clara distorção do que foi falado. Quer dizer então que vereador pode discursar por vários minutos ofendendo e humilhando os servidores públicos e ninguém pode se revoltar?
E, no final, tudo continuou como dantes no quartel de Abrantes. O prefeito vai ter que autorizar para que a votação ocorra e os funcionários da saúde saíram humilhados, vítimas do autoritarismo, da falta de vontade política e da arrogância dos vereadores pertencentes à base aliada do prefeito ou pertencentes ao prefeito, como preferirem.

Essa é “casa da povo” de Franca: subserviente ao dono da cidade, como o Marco Garcia mesmo disse em um infeliz comparação entre a cidade e uma empresa, a qual dizem por aí que é muito bem administrada; só que não!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

então não tem mais preconceito né...


Como eu assisto futebol desde criança, acho que ainda não entendi a relação que há entre um bom jogador e a sua sexualidade, isto é, não consigo compreender a razão pela qual um jogador deve ser expulso ou punido pelo seu time por ter dado um selinho no amigo em seus momentos particulares.
Aliás, não precisa ser tão radical, pois, conforme disse um “sábio” torcedor, o Sheik deve se retratar e pedir desculpas à torcida. E se perguntar para esse torcedor se o que ele fez foi ou não uma manifestação de ódio e intolerância, ele jura que não. Aham, senta lá, Cláudia... quem deveria pedir desculpas é esse torcedor estúpido.
Se as mulheres e os homossexuais não jogam futebol creio eu que isso muito se deve ao caráter opressor que essa modalidade esportiva possui (a manifestação de alguns torcedores corinthianos é a prova disso). Que menino criado em berço machista não estranharia ao ver uma menina querendo entrar no seu time no recreio da escola? Não adianta alguém afirmar que acharia normal. Ninguém acharia normal. Aprendemos, desde cedo, que futebol é lugar de “macho-alpha”.
E é por essas e outras que não há motivos para ter medo das crianças aprenderem a respeitar a diversidade sexual o quanto antes. Aliás, se fosse para fazer piadinhas preconceituosas, deveríamos fazer com quem tem tanto medo assim de que a liberdade de manifestação amorosa incentive cada vez mais pessoas a assumirem a sua sexualidade (talvez seja medo do recalque). Qual o problema em viver pacificamente com isso?
Você não precisa morar numa tribo para respeitar os índios. Você não precisa ser mulher para respeitar as mulheres. Você não precisa ser um cachorro para respeitar os animais. Mas você precisa ter consciência e bom senso para respeitar a felicidade das pessoas quando elas não estão interferindo na sua felicidade, sem querer dar o inferno na terra para quem não segue a sua cartilha fundamentalista.
Ah, um selinho entre pessoas do mesmo sexo interfere na sua felicidade? Desculpe-me, camarada, mas você é uma pessoa preconceituosa!
Se alguém ainda fala em “ditadura gay”, que o preconceito acabou, que os gays querem privilégios, que está na moda ser homossexual, entre outras frases difundidas no senso comum machista, creio eu que esse fato é mais uma prova de que o preconceito ainda está vivo e, ainda mais, de forma escancarada (só não vê quem não quer).

A prova desse preconceito enraizado é essa foto que eu divulguei no meu facebook em defesa e apoio ao Sheik e não fui muito bem recebido por torcedores palmeirenses pelo Brasil afora:

E aos palmeirenses machos-alpha revoltados, vão ter que aceitar sim a minha manifestação, porque sou palmeirense desde que nasci. E não sou homofóbico como muitos.