quinta-feira, 22 de março de 2012

Saúde Pública em Franca: o desrespeito mora ao lado


Não precisa ser muito engajado politicamente para notar que a saúde pública de Franca se tornou um caos, e vem piorando a cada dia. Enquanto isso, os olhos do nosso prefeito e da sua base, diante desse cenário, são de puro cinismo. O Índice de Desempenho do SUS (IDSUS) foi o sexto menor do estado, e o secretário de saúde, Alexandre Ferreira – um dos pré-candidatos a prefeito do PSDB-, disse o seguinte: “Claro que ainda temos muito que melhorar, mas não considero a nota ruim”. Municípios como Bela Vista de Goiás-GO, Colinas do Sul-GO, Guaraíta-GO, Acrelândia-AC, Mucajaí-RR, entre vários outros de regiões muito mais pobres tiveram notas melhores do que a nossa; e isso não é ruim, segundo o nosso secretário. Que fique clara desde já a boa vontade do nosso secretário. Ou ele é inocente e incompetente, ou está nos fazendo de bobo descaradamente.
            Com o IDSUS de 5,24, temos uma nota pior do que várias cidades do Norte e Nordeste do Brasil, conforme foi dito acima. A cidade de Tabocas do Brejo Velho na Bahia, por exemplo, tem um PIB per capita 4 vezes menor que o de Franca e o IDSUS do município foi 6,44. O UBS do Jardim Aeroporto é o que mais sofre denúncias de maus tratos, péssimo atendimento e até mesmo de falta de atendimento (há alguns dias, a unidade que deveria funcionar 24 horas ficou sem médico). A Santa Casa, que foi entregue ao Estado de São Paulo assim que o nosso “bom administrador” assumiu a prefeitura, carece de recursos do governo estadual de seu companheiro de partido Geraldo Alckimin. São mais de oito mil pessoas na espera por cirurgias eletivas. Lembrando que todas as pessoas de baixo poder aquisitivo que dependem do SUS só podem fazer cirurgias na Santa Casa, a qual é o único hospital fornecedor desse direito em Franca.
            Uma internação de urgência num hospital já virou quase sinônimo de morte nas Três Colinas, uma vez que para conseguir ser internado é necessário que se peça uma autorização em São Paulo, o que não é nada rápido. Vale ressaltar que a UBS do Aeroporto não suporta atendimentos de pacientes graves. E tudo isso ocorre porque o Imperador de Franca, que tem sangue de democracia nas veias, deixou de administrar a Santa Casa ao assumir o coMANDO da cidade.
Aliás, esse adjetivo de bom administrador que inventaram para o nosso prefeito é totalmente infundado, principalmente no que tange a saúde pública, pois além de assumir menos responsabilidades nesse aspecto, o prefeito Sidnei Rocha conseguiu fazer com que o restinho de saúde que tinha para ele gerir piorasse ainda mais.
Alguns fatos me causam estranheza: a base do prefeito foi, em sua maioria, favorável ao aumento dos salários do prefeito, dos vereadores, do vice-prefeito e dos secretários. A mesma base lutou de todas as formas para que o viaduto com o nome da mãe do prefeito fosse construído (vale lembrar que viadutos apenas pioram o trânsito no longo e no curto prazo, a nossa obra faraônica não passará nem perto de resolver esse problema generalizado do trânsito francano).
O interessante é o seguinte: só não há verba para a saúde. Sinceramente, eu não conseguiria dormir em paz ao deitar a minha cabeça no travesseiro e saber que eu fiz a população engolir um viaduto de pelo menos 10 milhões de reais sem ao menos apresentar o projeto final do mesmo, colocar o nome da minha mãe nesse viaduto e, enquanto isso, saber que as pessoas estão morrendo nas filas dos hospitais e sofrendo maus tratos nos postos de saúde. Em meu ponto de vista, isso é crime contra a humanidade.
Não é só a saúde do Rio de Janeiro que está em crise. O desrespeito mora ao lado.
“É preciso lembrar que ninguém escolhe o ventre, a localização geográfica, a condição socioeconômica e a condição sociocultural para nascer. Nasce onde o acaso determinar. Por isso, temos que cuidar de todos aqueles que estão em todos os recantos desse país”. Aziz Ab’Saber