domingo, 22 de janeiro de 2012

Pinheirinho: a verdadeira face do governo paulista




Falar mal da Rede Globo é lindo. Dizer que não assiste BBB é sinônimo de intelectualidade. Votar no PSDB, indignar-se com a corrupção e sonhar com uma educação de qualidade é demonstrar politização. O que eu quero ver é a opinião do povo acerca do que acontece em Pinheirinho, onde os interesses de 6000 famílias estão submetidos aos interesses de Naji Nahas, um brasileiro que nasceu no Líbano e que é notoriamente um bandido outrora já investigado e preso por diversos golpes financeiros contra o Estado.
Nesse momento, o governo tucano do estado de SP mostra cada vez mais a sua face reacionária. As ações na Cracolândia, a repressão nas universidades e a invasão da PM no bairro de Pinheirinho apenas deixam claro que, além do extremo descaso com a saúde e a educação no estado mais rico do Brasil, o nosso governante é extremamente antidemocrático. Outros podem dizer: mas as rodovias são ótimas. Pode até ser verdade, mas pagamos um dos pedágios mais caros do mundo quando comparados a nossa renda, e o setor dessas concessionárias é o mais rentável do Brasil (mais que o setor industrial e o petroquímico).
Levantar bandeira a favor da democracia, dos direitos garantidos por constituição (como a moradia) e ficar calado diante dos acontecimentos em Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos, é um tanto quanto contraditório para quem diz ter tanto interesse e compromisso com as necessidades do povo. Não é preciso muita sensibilidade para perceber que existe algo errado quando uma terra é reintegrada e entregue  às mãos de um bandido do mercado imobiliário especulativo. Desculpe-me, mas não consigo ver absolutamente nada de democrático nessa ação que fere totalmente a dignidade humana desses oprimidos, guerreiros e esfarrapados do mundo, os quais são a prova real de que o “berço da desigualdade é a desigualdade do berço”.
Aliás, o próprio Ministério Público Federal tentou intervir, o que não surtiu muito efeito. Vê-se, então, que o prefeito também tucano de São José dos Campos, não estava nem um pouco a fim de agir de forma solidária para com as famílias nesse sentido.   A Luísa, que voltou do Canadá, também não deve ter dado a mínima para o que aconteceu (se é que a nossa nova celebridade sabe da batalha que está sendo travada), assim como muitos que se omitem quando o assunto pauta os menos favorecidos. Falando na Luísa, cadê a nossa capacidade de nos mobilizar? Será que retirar aquelas famílias que há oito anos moravam em Pinheirinho e levar elas para dormir na lama, como o que está acontecendo com as mesmas (relato do site da UOL) não merece a nossa indignação? Protestamos contra os maus-tratos a animais, e quando o assunto são seres humanos ficaremos calados?
Como já dizia Paulo Freire, “A desumanização que não se verifica apenas nos que têm sua humanidade roubada, mas também, ainda que de forma diferente, nos que a roubam, é distorção da vocação do ser mais (...). Na verdade, se admitíssemos que a desumanização é vocação histórica dos homens, nada mais teríamos que fazer, a não ser adotar uma atitude cínica ou de total desespero”. Enfim, política não é horóscopo, não estamos fadados pela eterna desumanização das pessoas.  O mesmo Paulo Freire diz que ninguém nos fornece a liberdade, somos nós quem a buscamos.
Acredito que para entender o que houve em Pinheirinho, não são necessários muitos estudos, apenas o mínimo de sensibilidade. Esse fato comprova que ninguém pode negar fatores como: a presença de características ditatoriais no Brasil, a burguesia ainda é mais poderosa que o Estado (o qual, através dos partidos da ordem, presta serviço a elite), a luta de classes, a intolerância, a truculência dos policiais com trabalhadores e estudantes honestos que querem apenas liberdade, respeito e os seus direitos garantidos constitucionalmente.
Corrigindo a frase do jornalista do SBT: se nós já fomos mais inteligentes eu não sei, mas nós já fomos mais humanos. Enfim, o caso de Pinheirinho, só serviu para mostrar de que lado o governo do estado de SP sempre esteve. Não temos nenhum vestígio de que seja do lado dos professores, dos trabalhadores, dos pobres, dos viciados ou de qualquer outro cidadão que se encontra ou foi colocado à margem da sociedade.
Abaixo segue um vídeo da música POLÍCIA dos Titãs e do Sepultura:


E faço aqui também uma campanha contra o ASSASSINO.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O VIADUTO FOI APROVADO. E AGORA?

Agora o trânsito de Franca vai continuar do mesmo jeito.

OBS.: QUERIA COLOCAR UMA FOTO DO PROJETO, MAS A MESMA NÃO FOI DIVULGADA. A FOTO QUE ESTÁ ROLANDO NAS REDES SOCIAIS É DO PROJETO ANTERIOR (CHEIO DE DEFEITOS, POR ISSO FOI MODIFICADO).  NINGUÉM SABE QUE PROJETO É ESSE, MAS MUITA GENTE TEM CERTEZA QUE O INVESTIMENTO SERÁ BOM. EM MEU VER HÁ UMA LACUNA NISSO TUDO.
Não quero ser pragmático e nem desferir gritos não condizentes com a realidade. Contudo, a solução encontrada para resolver o problema do trânsito francano está longe de ser a construção isolada de um viaduto, para o qual, a priori, será destinada, pelo menos, uma verba de nove milhões (a posteriori cabe a nós rezar), a qual será retirada do superávit da cidade relativo ao ano de 2011, lembrando que o orçamento de Franca - aprovado para o próximo ano - destinou 30 milhões para todas as obras (só para se ter uma noção da proporção do dinheiro que será gasto).
Todavia, uma pergunta ainda não foi respondida: por que o viaduto não resolverá o problema do trânsito francano? Porque a cidade não possui um planejamento urbano adequado para a mobilidade dos cidadãos. Isso não existe porque o nosso prefeito ou não teve a capacidade administrativa para tanto (o que eu acho menos provável) ou não pensa no futuro da cidade da forma como deveria (alternativa mais provável).
O desenvolvimento de uma cidade, no que tange um modelo de sociedade, está muito além do que foi (des) construído até hoje em Franca. A cidade de Curitiba – PR, por exemplo, foi reconhecida mundialmente por ter feito com que 45% dos cidadãos utilizassem o transporte público, com o valor de R$ 2,50 e aos domingos R$ 1,00. Isso quebra qualquer mito que mede o desenvolvimento de um país ou de uma cidade através da quantidade de viadutos ou de outras obras faraônicas, ainda mais num momento em que a questão ambiental está tão em evidência.
No caso de Franca, vê-se um pensamento reverso no que tange esse tipo de desenvolvimento que respeita todas as esferas políticas, econômicas e sociais. Ficou muito claro o desespero do prefeito e, algumas vezes, a falta de autocontrole de sua base para aprovar o viaduto a todo custo, antes das eleições desse ano. A prova disso foram as ofensas, a mudança no projeto, a cooptação do PSB, a mudança na quantidade mínima de votos (agora é por maioria simples para que os projetos do prefeito passem sem resistência) e a votação que ocorreu no 3º dia do ano.
Durante a sessão, falou-se muito que Franca não era mais uma currutela (palavras do vereador Jepy Pereira - PSDB). Isso não é nenhuma novidade. O fato é que o problema do trânsito francano não pode ser tratado de forma pontual. Mais uma vez fomos iludidos por quem quer encontrar soluções simples para problemas complexos. Numa democracia, a população pode pensar da forma como bem entende, mas vale dizer que se pensarmos desse modo tão restrito estaremos apenas dando margem para superfaturamentos e obras com pouca função social perto do seu custo. E esse viaduto não faz parte de um planejamento urbano. Na verdade, ninguém sabe ao certo se, nesse momento, com um planejamento adequado Franca precisaria dessa obra.
Nesse sentido, o planejamento é algo mais demorado, coisa pra quem pensa no futuro. A eleição está mais próxima, e é nela que os “nossos” vereadores (ou vereadores do prefeito) resolveram pensar. Veja a vereadora Graciela (opositora do prefeito), a qual é contra a construção, mas votou a favor para satisfazer os presentes na Câmara dos Vereadores num golpe de puro populismo. Dos que estavam presentes, a maioria era idosos. O J. P. fez questão de chamar algumas pessoas nas redes sociais. O J. P. é advogado de idosos. Opa! Deixa para lá... cada um tire as suas conclusões. Ele foi advogado do meu avô e até hoje manda cartão de aniversário ao meu velho, o problema é que o ele morreu há quase quatro anos. Logo o meu velhinho que carregava com ele a certeza da consideração do J. P.. Talvez seja porque ele cobrou a quantia de apenas 30% sobre a aposentadoria que foi resgatada.
Todos devem respeitar o que a população deseja. Contudo, a foto que foi divulgada na internet se refere ao projeto antigo (projeto extremamente mal feito que o prefeito queria fazer todos engolirem de forma repentina e inconsequente, mostrando, assim, a consideração do nosso “ótimo administrador” para com o seu povo), projeto este que foi, inclusive, criticado pelos vereadores do PSB, os quais, finalmente, apesar de preferirem outras medidas, foram cooptados pelo PSDB para que a obra saísse o mais rápido possível. E o projeto novo? Este está escondido em algum lugar. Por incrível que pareça, ainda não divulgaram como será a obra para a população. Eu e outras pessoas favoráveis ou não a construção do viaduto que estiveram presentes terça-feira na Câmara, atendendo, respeitosamente, o pedido do vereador Jepy Pereira (que não convidou a população para participar quando o mesmo aprovou junto com os seus companheiros de partido o aumento dos salários dos vereadores a toque de caixa), não tivemos acesso ao novo projeto do viaduto que vai ser construído, numa jogada altamente antidemocrática e oportunista.
Percebe-se que, pelo visto, ainda não é démodé ganhar eleições com obras. É inquestionável que a obra melhorará o fluxo de carros naquele ponto. Como uma medida pontual imediata, não tenho nada a acrescentar além da obviedade. Agora, quem pensa no nosso futuro? Pelo visto, não são os nossos governantes. A base do prefeito votou a favor do aumento dos salários (vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários), havia boatos de que queria aumentar o número de cadeiras (o que não foi possível graças à pressão popular), votou contra as melhorias no transporte público, votou contra os professores quando os mesmos lotaram a Câmara e agora quer usar mais uma vez do dinheiro público para o favorecimento nas eleições do próximo ano.
Ainda acredito que Franca pode muito mais. Estamos longe de ser um modelo de sociedade. Medidas como essas observadas na Câmara dos Vereadores ajudaram a eleger muitos governos totalitários ao redor do mundo. O trio Sidnei Rocha – Jepy Pereira – Marcelo Valim não aceita ser questionado. Para quem crê na democracia isso é repugnante.
A saída mais democrática para os problemas do trânsito francano é o investimento em transporte público. Isso sim beneficiaria toda a população (quem usa e quem não usa), apesar de não ser tão notório no aspecto eleitoral. Nesse sentido, os vereadores tucanos foram totalmente contrários no momento de votar melhorias no transporte coletivo, monopolizado por uma empresa que tem antigas e suspeitas ligações com o prefeito.
Franca pode muito mais.

Como não tem foto do projeto, deixo uma foto do busão de Franca: