sábado, 31 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011 – “não diga que a canção está perdida”


Não há nada mais triste do que não notar o brilho da vida. Contudo, 2011 iniciou-se com certo ar de esperança. Tudo isso porque, mesmo quando não há luz, há pessoas iluminadas em nosso caminho. As mãos invisíveis das pessoas amadas são capazes de transformar a mais triste realidade. Por isso, eu ainda acredito tanto no ser humano, apesar de todo individualismo da sociedade pós-moderna.

Por mais que em alguns instantes mórbidos os motivos para não prosseguir nos parecem mais explícitos do que as razões para perceber um horizonte mais afável, posso dizer com extrema segurança: quem perde a esperança, morre um pouquinho. E o certo é sempre estar vivo por inteiro.
Sempre estar completamente vivo é um bem necessário e, para tanto, deixar o seu lado verdadeiramente humano aflorar e incendiar as pessoas pode te trazer, além da completude da vida, o engrandecimento da alma. Fernando Pessoa já dizia que tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.
Eu posso dizer que o caminho para a felicidade é fazer com que a sua alma busque o infinito. E mais ainda: ela não alcançará o infinito sozinha, você dependerá das pessoas. Assim, no final das contas, nós percebemos que não é você quem faz a diferença em sua vida, mas sim você deixar que as pessoas sejam agentes dessa diferença, pois você não se ilumina sozinho.
Não diga que a canção está perdida. Enquanto houver vida, haverá canção. Levante a sua mão sedenta. Continue andando. É de batalhas que se vive a vida. Mantenha-se vivo enquanto estiver com os olhos abertos e, caso você seja cego, não se preocupe, pois eu estou falando de outros olhos ainda mais importantes, que são os olhos que conseguem enxergar o amor e dar amor.
Esse foi o meu ano de 2011.

Fica de inspiração a música inspiradora desse texto do ilustre Raul:

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dr. Sócrates: talvez ele seja "o último romântico" do futebol, e não apenas dos litorais do Oceano Atlântico


Ontem, o mundo passou a não mais ter uma pessoa que deixou o futebol mais romântico, o Dr. Sócrates. Não falo isso pelo fato dele não mais estar vivo, mas sim porque um dos jogadores mais completos – no quesito dentro e fora de campo – deixou a vida mais cedo. E tudo isso porque ele gostava demais de viver.

Dr. Sócrates não era doutor porque era médico, uma vez que há controvérsias sobre esse título para quem não concluiu doutorado. Ele era doutor, em minha opinião, porque era amoroso, sonhava com um mundo novo, totalmente diferente do que vivemos. Foi um doutor da vida e das causas humanas, digamos.
Desde jovem era revolucionário, pois, como já dizia Che Guevara, ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição. Socialista nato e assumido, Dr. Sócrates pregava a democracia e a igualdade, não apenas no Corinthians, mas também no Brasil. Por isso, ele vai ficar marcado não apenas por ter sido um jogador quase completo, foi também um ser humano quase completo.
Na verdade, eu, como palmeirense, poderia não estar escrevendo sobre ele. Todavia, no país do futebol, as estrelas do gramado deveriam pensar em aproveitar das suas figuras para assumir posições. O futebol une todas as classes, todas as raças, todos os gêneros, enfim, une o Brasil. Aproveitar dessa bela cultura brasileira em prol de posições políticas, humanas e da liberdade, como fez o Sócrates, seria de grande valia. Por enquanto não vejo um substituto. Quiçá Romário e Maradona cheguem perto.
Essa figura ilustre deveria servir de inspiração aos que estão e aos que virão. E que os jogadores do nosso Brasil, não sejam apenas politicamente corretos, servidores de seus empresários e patrocinadores. Jogadores, sejam mais alma, sejam mais firmes, sejam mais humanos que assistencialistas, lutem pela transformação da sociedade, sejam mais francos e mais autênticos, sejam mais inteligentes e mais sábios, sejam mais libertários, sejam mais políticos (ao invés de ficar apenas “em cima do muro"). Em suma: sejam mais Sócrates!