segunda-feira, 21 de novembro de 2011

EMPRESA SÃO JOSÉ: o retrato de um descaso com o povo francano


A intocável e visivelmente favorecida empresa francana de transporte “público” SÃO JOSÉ prejudicou, mais uma vez, os usuários dos seus serviços, os quais, em grande parte, são trabalhadores e estudantes.
Além do preço abusivo, que já é de praxe, foi implantado um novo sistema de integração e, com o argumento de que várias vantagens foram obtidas, algo passou despercebido e nós não podemos nos calar, pois a SÃO JOSÉ tem o monopólio do transporte coletivo em Franca e, por essa razão, a sua obrigação é prestar um serviço de ótima qualidade a população, sem prejudicar os cidadãos francanos que alimentam os cofres da empresa. na verdade, o novo Sistema de Integração ACABOU COM A INTEGRAÇÃO.
Com esse novo sistema, o usuário que não tiver crédito no cartão terá que pagar o ônibus duas vezes, caso queira fazer a integração. Nesse sentido, os estudantes e trabalhadores serão grandemente prejudicados, pois como o trabalhador francano tem um dos piores salários do estado de São Paulo, é pouco provável que o mesmo não tenha créditos sobrando em seu cartão. Além disso, o emprego dos cobradores entrou em jogo. Ora, o objetivo da empresa São José, então, ficou claro: aumentar os lucros e reduzir os custos. De forma alguma é beneficiar a população. A empresa, ainda, não declara suas contas em nenhum lugar. Nenhum cidadão tem acesso aos lucros da empresa que, em tese, presta um serviço ao povo.
Outro motivo de indignação, o qual valeu uma reportagem do Comércio da Franca por esses dias, é a superlotação dos ônibus, principalmente em horários de pico. Sabe-se que o ideal seria que todos fossem sentados e transportados de forma digna e segura, uma vez que um carro, quando carrega mais do que a quantidade máxima de pessoas é multado (principalmente em Franca, onde se instalou uma verdadeira “fábrica de multas”). Alguns vereadores estão pedindo que a quantidade máxima de pessoas em pé no ônibus seja de 17. Porém, a base aliada do prefeito diz que essa medida é irresponsável, pois isso ou ocasionaria um aumento dos preços, ou as pessoas ficariam na rua esperando ônibus por não ter frota o suficiente para atender toda a população (????). Percebe-se, assim, que eles não planejam nenhum tipo de melhoria no transporte “público” e que, caso isso aconteça, o usuário será taxado de alguma forma. Vale lembrar que no próprio ônibus há um limite de pessoas que podem ser transportadas, o que quase sempre não é respeitado.
Temos que dar um BASTA, pois a principal beneficiada com o transporte “público” de Franca é a empresa SÃO JOSÉ, a qual, através do seu monopólio, eleva as taxas de forma abusiva (em Uberlândia, a qual foi submetida a uma onda de protestos que foram mostrados em rede nacional por causa do valor das tarifas, paga-se R$2,40 pelo ônibus; em Brasília, uma cidade muito maior que Franca, o valor máximo é R$3,00 e o mínimo é R$2,00; em Belo Horizonte a tarifa é R$2,45, sendo que alguns custam R$1,75). O francano não pode engolir a seco esse valor de R$2,65 que é cobrado pela SÃO JOSÉ, uma empresa que já esteve presente em algumas negociações estranhas que envolviam o prefeito Sidnei Rocha em 1989, quando o mesmo comprou a Hertz AM e FM, depois de fracassos administrativos na VASP e no SBT.
Quando o prefeito Sidnei Rocha tomou o cargo, o controle dos preços das tarifas e dos custeios da empresa São José era feito pela prefeitura. Hoje, a empresa tem a autonomia para adotar a prática que quiser, aumentando os preços de forma compulsiva. Isso ficou claro logo nos dois primeiros anos de governo do Sidnei Rocha: quando ele assumiu o cargo, a tarifa era R$1,60; no ano seguinte, foi para R$1,80; no segundo ano já era R$1,80 e, hoje, o valor exorbitante - comparado a outras cidades - de R$2,65. Esse aumento é injustificável, pois, no mesmo período, a inflação subiu por volta de 50% e o valor da tarifa mais de 65%. Não podemos permitir que esse “assalto” aos nossos bolsos continue, pois, a cada dia, o transporte coletivo de Franca fica mais longe de ser público. Outro fato o qual talvez nem toda a população esteja ciente é que o diretor da empresa, Belarmino Marta Júnior, esteve preso em Campinas durante um curto intervalo de tempo por suspeitas de fraudes em licitações. É nas mãos desse povo que está o transporte público francano. Não podemos os deixar agirem da forma como bem entendem.
Já que o transporte é público, o mesmo deveria ser GRATUITO. Essa é a bandeira que toda a população deve levantar e que os movimentos sociais desde sempre ergueram. É um caminho tortuoso, mas não é impossível, pois os trabalhadores e estudantes, que são os motores do desenvolvimento da cidade e os principais usuários desse serviço, devem ser tratados da forma como merecem, pois hoje o transporte coletivo de Franca serve mais para garantir lucros exorbitantes à empresa SÃO JOSÉ do que para beneficiar a população que não tem um meio de condução próprio para realizar as suas atividades. Em Maringá os estudantes e professores já tem o passe livre. Numa época em que a questão ambiental está sendo tão romantizada, será que não valeria a pena incentivar a população a usufruir do transporte coletivo? E o trânsito de Franca que anda tão caótico. O viaduto ajuda quem tem carro. Passe livre ajuda quem é pobre.


Fica aqui a música do Gabriel o Pensador, que talvez já foi postada uma outra vez nesse espaço

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Prenderam o Nem. Tô nem aí.

“E me vendem essa droga
E me proibem essa droga
Para os desavisados poderem pensar que o governo combate
Invadindo a favela
Empunhando fuzis
Enxugando dinheiro corrupto para a platina no nariz”


Edgar Scandurra - IRA



Prenderam o Nem.
Vitória da segurança pública? Talvez (na verdade, de forma alguma).
Hoje, vou deixar apenas uma reflexão, sem deixar de mostrar a minha visão sobre o assunto. Já havia outro texto pronto, o qual preferi não postar para evitar problemas e não sofrer ameças.

Vamos, então, ao assunto...
Com tantos usuários de drogas (ricos, pobres, gênios, bandidos, advogados, médicos, engenheiros, professores, famosos, etc.), pode-se, no mínimo, dizer que o tráfico é um mercado em potencial. Há desde gênios até indigentes que usam algum tipo de droga. Os principais favorecidos com o tráfico são os bandidos (dentre eles, policiais e políticos).
Certamente, os inimigos da segurança pública (Nem, Fernandinho Beira-Mar, entre outros) são contra a liberação das drogas. Cobrando impostos e exigindo legalidade nas vendas, as principais quadrilhas deixariam de agir. Isso é fato!
Não seria mais vantagem tratar assuntos como as drogas e o aborto, sob outra ótica? Creio que a eficiência seria bem maior se esses problemas fossem analisados como uma questão de saúde pública.
Enquanto esses pontos continuarem sendo alvo do moralismo cego do povo, não teremos uma educação e uma conscientização correta, e os usuários só vão saber dos danos do que usam ou fazem quando tiverem o primeiro contato.
A discussão é longa e muito mais complexa do que isso. Só acredito que criar rótulos e fazer críticas levianas está longe de ser o caminho correto. Como eu não escondo o meu ponto de vista, sou cristão e digo que sou a favor da legalização das drogas culturais, até porque não acredito que o homem tenha o poder de julgar ninguém.
E mais: na favela da Rocinha, o pedido do povo é o seguinte: “PAZ, COM JUSTIÇA SOCIAL” – o que estava escrito em algumas faixas que foram filmadas durante a ocupação da polícia no morro. Então, o maior desejo dos moradores daquele lugar não é que a polícia entre e capture os traficantes, mas sim que a insistente injustiça social seja erradicada. Até porque ninguém merece conviver lado a lado com uma das piores polícias do mundo.
Deixo hoje, em homenagem ao povo da Rocinha, o vídeo da música “Monstro Invisível” do grupo "O Rappa". A gravação foi feita na própria Rocinha.
"Outra epidemia desanima quem convive com medo" O Rappa

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

ENEM: qual deveria ser o verdadeiro motivo da revolta?


Mais uma vez o ENEM está em evidência. Talvez esse assunto esteja um pouco démodé, até porque a memória curta do brasileiro já deve ter virado essa página. Como é de praxe, de um lado está a fúria do povo e do outro a retórica dos políticos da base aliada do governo, o falso moralismo dos aproveitadores e a proposta firme dos sensatos. Nesse texto, comprometo-me a falar apenas sobre a sensatez dos que realmente acreditam que a educação é a base de uma nação que sonha em se desenvolver de forma sustentável.
Num momento como esse, quando ocorre o vazamento de questões e vários estudantes são prejudicados, um movimento irado toma conta das redes sociais: o descaso do governo com a educação. O questionamento que faço é o seguinte: então, como o problema pode ser solucionado? Todo bom brasileiro responderia que através de uma maior fiscalização o vazamento de questões poderia se tornar mais complicado. Será que realmente é essa a medida a ser tomada?
Não, o problema está muito mais embaixo. Como diz um poema de Carlos Drummond de Andrade, “os lírios não nascem da lei”. As nossas leis nunca foram eficientes e a fiscalização, além de corrupta, também não se mostra capaz de manter a ordem. Todos os políticos têm números bons em épocas de campanha e, em alguns momentos, quase somos convencidos de que houve diversas revoluções no que tange a educação e a saúde durante os governos que se passaram em todos os entes federativos. Todavia, a realidade mostra um cenário totalmente oposto.
 O motivo principal de protesto não deveria ser contra o vazamento de questões do ENEM, mas sim contra o descaso com o ensino básico e a escassez de vagas nas faculdades públicas. O Brasil ainda é um país que destina por volta de 5% do PIB à educação e 40% ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública (que ninguém sabe se existe e nunca foi feita uma auditoria para que a mesma fosse reconhecida). Não tenho receio em dizer que a preocupação com a educação do povo ainda está longe de estar num primeiro plano.
Para um país que pensa em se desenvolver, deve-se entender que a educação e a cidadania é o eixo estruturador de uma sociedade emancipada, envolvida no contexto político e que saiba participar de forma ativa de uma real democracia, na qual as pessoas tenham voz para que as suas demandas sejam atendidas. Por esse motivo, a campanha pelo investimento de 10% do PIB em educação é extremamente válida no cenário em que vivemos. Enquanto o paradigma do ensino não for totalmente modificado não seremos um país desenvolvido e, acima de tudo e principalmente, justo e solidário.
A UNESCO recomenda que o Brasil destine 6% do PIB à educação. Contudo, destinar 10% do PIB não é contrassenso. Tanto o governo FHC como o governo Lula e Dilma não aceitaram medidas mais arrojadas. Dizem que o Brasil é o país do futuro. Dizem também que o futuro da nação depende de uma boa educação. Pouco mais de 10% da população possui ou está fazendo um curso superior. Isso significa que apenas essa parcela da população terá esse belo futuro. Tudo isso porque o nosso sistema de ensino é excludente, e o vestibular é a prova real disso.
Você, que frequenta ou concluiu um curso superior, deve olhar para o contexto do nosso país e, ao invés de se orgulhar por fazer parte da pequena parcela que está na faculdade, se indignar ao ver que mais de 80% do povo não teve essa mesma oportunidade, e certamente essas pessoas que não tiveram acesso ao ensino superior poderiam colaborar para o desenvolvimento pleno da nossa nação. Afinal, não vamos pensar nos problemas apenas quando os mesmos nos atingem (não sejamos egoístas).
10% do PIB para a educação é necessário. O ensino, mais do que nunca, precisa ser democratizado. A nossa nação precisa se desenvolver de forma generalizada. Não apenas uma parcela, mas sim toda ela. De acordo com quem está no poder, nós somos um país credor. Vamos, então, lutar pelos nossos direitos!