segunda-feira, 26 de setembro de 2011

MST: eles não vão invadir a sua chácara






A criminalização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e de qualquer outro movimento social é algo muito comum diante da parcialidade da imprensa. Não vemos falar sobre as revoltas estudantis que vêm ocorrendo no Chile, e quando há notícias, as mesmas são negativas.

Os movimentos recentes na Inglaterra também foram tratados com imenso descaso, sendo que aquelas pessoas da periferia estavam apenas lutando pela recuperação dos seus direitos básicos de cidadãos. Com o MST não poderia ser diferente.

A legitimidade desse movimento pode ser confirmada diante do seguinte aspecto: eles lutam contra um histórico mal brasileiro que é a concentração das terras nas mãos de poucos.

Todos sabem que a distribuição da renda no Brasil é algo medonho, tanto que esse assunto chega a ser até clichê. Contudo, poucos sabem que a distribuição das terras é algo ainda pior e mais assustador (1% da população é proprietária de 46% das terras). Na última década, a concentração de terras aumentou, assim como a quantidade de terras improdutivas (quem diria, hein, companheiro!).

Nesse contexto, é justo e até natural que haja um movimento contestador de todo esse cenário atual. A grande imprensa se encontra na mão de uma meia dúzia, e essa meia dúzia, se não é latifundiária com certeza tem “rabo preso” com algum (uns) deles. Consequentemente, a mídia é contraria às causas do MST. Daí a importância da manipulação.

A realidade é que a Reforma Agrária tem como objetivo a ocupação de terras especulativas, por isso, é pouco provável que os Trabalhadores Rurais Sem Terra ocupem o seu sítio e ou o seu rancho, então, não tenha receio e nem pós-conceitos fabricados de quem luta por justiça social.

Em todos os grupos (partidos, igrejas, empresas, família, amigos, etc.) há gente querendo “mamar na teta” de alguém, cargos aqui, benefícios acolá. Todavia, a luta do MST é obviamente justa e necessária para a VERDADEIRA democratização desse país que, infelizmente, ainda está nas mãos de latifundiários corruptos e sanguinários.

“O Brasil tem mais terra do que a china tem chinês, mas a terra tá na mão dos grandes latifundiários.
A reforma agrária, ninguém ainda fez.
Ainda bem que os sem-terra não são otários.
(E tudo que eles querem é direito a ter trabalho).”
Gabriel O Pensador


Fica aqui também um vídeo do fabuloso pedagogo Paulo Freire:



 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A Neoliberdade: quem está realmente livre?



Hoje, com o Capitalismo enraizado na mente de toda a população e com toda a força dos pensamentos liberais e neoliberais, a “neoliberdade” tomou um rumo diferente da liberdade que muitos falam há tanto tempo. Temos também uma contribuição negativa de alguns cristãos, inclusive, quando os mesmos agem baseados em um moralismo cego e ditador, mostrando que muitos, por não conhecerem verdadeiramente a Cristo, não sabem que Jesus não se mostrou moralista em nenhum momento, pelo contrário, sempre aproximou dos que viviam a margem da sociedade.
A liberdade não consiste apenas em comprar o que quiser, quando quiser e da forma como quiser. O brasileiro é um exemplo muito claro de que as pessoas de hoje acreditam que somos livres e que realmente vivemos num país democrático, com todas as pessoas participando das decisões políticas. O fato é que somos acostumados com muito pouco perto do que a verdadeira liberdade é capaz de nos proporcionar. E a única liberdade que temos é a da livre exploração, pois não é certo trabalhar dez horas por dia enquanto existe um mundo além do capital e do trabalho. O trabalho é digno, com certeza, mas a vida é muito mais. A  atual comoditização do trabalho é nítida. Hoje não nos formamos pela filosofia da profissão, mas sim pela aplicação mercadológica da mesma.
E o próprio sistema capitalista cria um paradoxo em torno da liberdade – que para os filósofos liberais é um dos princípios básicos do sistema capitalista - quando as mazelas geradas pelo capital e a sua má distribuição vêm à tona. A questão norteadora desse texto é que um país que garante todos os direitos fundamentais ao cidadão consegue, naturalmente, erradicar grande parte desses problemas ocasionados pela busca incondicional pelo capital. Todavia, o caminho mais fácil é sempre pensar no problema de forma pontual. Assim, nessa corrida para apagar incêndios, os prejuízos são grandes, os investimentos são destinados às melhorias e não à solução e a sociedade, em particular a brasileira, continua sofrendo com os interesses individuais dos detentores do poder se sobrepondo aos interesses sociais.
Enfim, as questões que ficam para ser respondidas são as seguintes: quando iremos ser realmente livres, tendo em mãos, pelo menos, o que nos foi garantido constitucionalmente? Quando essa briga política não irá mais girar em torno da politicagem de quem quer fazer média (PT vs PSDB)? Essa politicagem vai se transformar em políticas? Será que realmente estamos predestinados a viver em meio a esse histórico caos? Acredito que o mundo, em especial o Brasil, precisa de pessoas que pensem mais longe e que estejam realmente dispostas a quebrar esse muro que nos separa de nossas aspirações, pois o que “eles” querem é que continuemos acreditando que somos livres. A própria ciência política nos mostra alguns caminhos alternativos e o nosso conformismo é a máquina essencial para quem deseja que a nossa cegueira continue assolando as nossas concepções acerca dos verdadeiros significados das palavras política e LIBERDADE.