segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O shampoo e a liberdade


Eu estava tomando banho e deixei o cabelo por último...


... ao passar um shampoo na minha cabeça de um modo errado que é de mim, percebi que me limpei tanto por fora. Esse estranho fato levantou uma interrogação sobre a higiene que deveria adentrar sob a epiderme. O shampoo deslizava sobre o meu couro cabeludo. Eu consumia mais água do que acho correto. A oleosidade característica da minha pele e do meu cabelo fora retirada por algumas horas. Os meus olhos permaneciam fechados para evitar qualquer tipo de contato com o produto capilar. E algo me atordoava e me deixava angustiado.
Eu ainda estava sujo. Nunca tomei um banho tão demorado e me senti tão imundo ao sair do banheiro. Nem quando eu deixei até a minha bile no vaso sanitário. Esqueci de fazer barba. Esqueci de tampar o shampo. Naquele momento, na verdade, eu estava furioso com o shampoo. Por hora, pensei em defenestrá-lo.
...pensamentos contingenciais...
Tanta sujeira que eu devo ter guardado durante a vida. E como eu vou me limpar? Apenas sendo livre. E o que é ser livre? É destruir esse muro que me separa das minhas verdadeiras aspirações. E eu sei quais são as minhas aspirações? Infelizmente não, apenas da minha missão. E qual é a minha missão? Saber amar incondicionalmente.
...
Então, eu desisti de jogar o shampoo pela janela. Apenas fui até o banheiro, fechei a tampa do mesmo e vim até a sala de jantar para escrever esse desabafo.