segunda-feira, 27 de junho de 2011

O PARADOXO EDUCACIONAL: O SER HUMANO DEVE VOLTAR A SER HUMANO

Todos que têm uma memória menos curta, ou melhor, um pouco diferente do resto da nação brasileira devem se lembrar do Cristóvam Buarque dizendo em seus programas e debates das eleições de 2006 que a solução para todos os problemas do país é a educação.

E sabe o que toda a imprensa e boa parte do povo fazia? Debochava do que ele falava e o taxava como uma figura um tanto quanto caricata.

Contudo, concordo com o pensamento do Cristóvam, vistos alguns pontos que devemos considerar.

Quando falamos em educação devemos pensar o seguinte: quem a sociedade considera uma pessoa educada e o que é realmente um alguém preparad para a vida, ou melhor, livre em essência?
Grande parte das faculdades e dos cursos prepara as pessoas apenas para o mercado, isto é, para produzir e comprar o que foi produzido. Passou o tempo em que uma pessoa sábia era alguém que tinha certo grau de sensibilidade sobre a vida. Hoje, o que nós, administradores, chamamos de “empreendedor” é o ser mais respeitado entre todos os outros mortais.

A única liberdade que a pessoa garante ao terminar a faculdade é a livre concorrência. “O bom rapaz é o que tem um bom emprego”. “O bom cidadão é o que tem certo status”. “Músico é vagabundo”. “Pedreiro é uma profissão menos digna e merece um salário bem menor do que um juiz de direito” (não sei por que).

Essas frias e conturbadas relações e todas as mazelas sociais realmente estão relacionadas com a falta de educação da população. Todavia, vale refletir acerca da educação da qual a população está carente, uma vez que a sociedade capitalista e neoliberal não visa à criação de um cidadão formado, mas sim de produtores e consumidores formados.

Eis aqui o paradoxo do mundo moderno: nem mesmo os formados receberam uma educação adequada. Então, como todos terão acesso à educação de qualidade?

Eu tenho a solução: a educação tem que deixar de ser mais um mercado. A sociedade evolui muito mais em termos de avanços tecnológicos do que em questões sociais que deveriam ser a base de tudo.

Enquanto aceitarmos a retórica conservadora dos que brigam apenas pelo poder e que são movidos por interesses econômicos e não mudarmos totalmente a nossa forma de pensar, de votar, de viver e de se relacionar estaremos colaborando para que os nossos filhos vivam em um mundo imoral e talvez eles tenham que se corromper em meio à perversidade do cidadão moderno que segue encantado com todas as dádivas que o capital pode trazer.

Essa é a nossa educação! Estamos todos enlatados e manipulados a aceitar que essa é a melhor forma de viver. Vamos lutar para sair de dentro dessa embalagem enquanto há tempo. Vivemos de maneira insustentável, quiçá a história não aceite esse nosso modo mesquinho de acreditar que a melhor forma de ganhar é sendo o melhor, é quando outros perdem. Essa é a lógica da educação mercadológica que temos desde quando os nossos professores do ensino médio nos motivam a passar no vestibular.

Enfim, o ser humano deve se educar para voltar a ser humano.