sábado, 31 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011 – “não diga que a canção está perdida”


Não há nada mais triste do que não notar o brilho da vida. Contudo, 2011 iniciou-se com certo ar de esperança. Tudo isso porque, mesmo quando não há luz, há pessoas iluminadas em nosso caminho. As mãos invisíveis das pessoas amadas são capazes de transformar a mais triste realidade. Por isso, eu ainda acredito tanto no ser humano, apesar de todo individualismo da sociedade pós-moderna.

Por mais que em alguns instantes mórbidos os motivos para não prosseguir nos parecem mais explícitos do que as razões para perceber um horizonte mais afável, posso dizer com extrema segurança: quem perde a esperança, morre um pouquinho. E o certo é sempre estar vivo por inteiro.
Sempre estar completamente vivo é um bem necessário e, para tanto, deixar o seu lado verdadeiramente humano aflorar e incendiar as pessoas pode te trazer, além da completude da vida, o engrandecimento da alma. Fernando Pessoa já dizia que tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.
Eu posso dizer que o caminho para a felicidade é fazer com que a sua alma busque o infinito. E mais ainda: ela não alcançará o infinito sozinha, você dependerá das pessoas. Assim, no final das contas, nós percebemos que não é você quem faz a diferença em sua vida, mas sim você deixar que as pessoas sejam agentes dessa diferença, pois você não se ilumina sozinho.
Não diga que a canção está perdida. Enquanto houver vida, haverá canção. Levante a sua mão sedenta. Continue andando. É de batalhas que se vive a vida. Mantenha-se vivo enquanto estiver com os olhos abertos e, caso você seja cego, não se preocupe, pois eu estou falando de outros olhos ainda mais importantes, que são os olhos que conseguem enxergar o amor e dar amor.
Esse foi o meu ano de 2011.

Fica de inspiração a música inspiradora desse texto do ilustre Raul:

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dr. Sócrates: talvez ele seja "o último romântico" do futebol, e não apenas dos litorais do Oceano Atlântico


Ontem, o mundo passou a não mais ter uma pessoa que deixou o futebol mais romântico, o Dr. Sócrates. Não falo isso pelo fato dele não mais estar vivo, mas sim porque um dos jogadores mais completos – no quesito dentro e fora de campo – deixou a vida mais cedo. E tudo isso porque ele gostava demais de viver.

Dr. Sócrates não era doutor porque era médico, uma vez que há controvérsias sobre esse título para quem não concluiu doutorado. Ele era doutor, em minha opinião, porque era amoroso, sonhava com um mundo novo, totalmente diferente do que vivemos. Foi um doutor da vida e das causas humanas, digamos.
Desde jovem era revolucionário, pois, como já dizia Che Guevara, ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição. Socialista nato e assumido, Dr. Sócrates pregava a democracia e a igualdade, não apenas no Corinthians, mas também no Brasil. Por isso, ele vai ficar marcado não apenas por ter sido um jogador quase completo, foi também um ser humano quase completo.
Na verdade, eu, como palmeirense, poderia não estar escrevendo sobre ele. Todavia, no país do futebol, as estrelas do gramado deveriam pensar em aproveitar das suas figuras para assumir posições. O futebol une todas as classes, todas as raças, todos os gêneros, enfim, une o Brasil. Aproveitar dessa bela cultura brasileira em prol de posições políticas, humanas e da liberdade, como fez o Sócrates, seria de grande valia. Por enquanto não vejo um substituto. Quiçá Romário e Maradona cheguem perto.
Essa figura ilustre deveria servir de inspiração aos que estão e aos que virão. E que os jogadores do nosso Brasil, não sejam apenas politicamente corretos, servidores de seus empresários e patrocinadores. Jogadores, sejam mais alma, sejam mais firmes, sejam mais humanos que assistencialistas, lutem pela transformação da sociedade, sejam mais francos e mais autênticos, sejam mais inteligentes e mais sábios, sejam mais libertários, sejam mais políticos (ao invés de ficar apenas “em cima do muro"). Em suma: sejam mais Sócrates!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

EMPRESA SÃO JOSÉ: o retrato de um descaso com o povo francano


A intocável e visivelmente favorecida empresa francana de transporte “público” SÃO JOSÉ prejudicou, mais uma vez, os usuários dos seus serviços, os quais, em grande parte, são trabalhadores e estudantes.
Além do preço abusivo, que já é de praxe, foi implantado um novo sistema de integração e, com o argumento de que várias vantagens foram obtidas, algo passou despercebido e nós não podemos nos calar, pois a SÃO JOSÉ tem o monopólio do transporte coletivo em Franca e, por essa razão, a sua obrigação é prestar um serviço de ótima qualidade a população, sem prejudicar os cidadãos francanos que alimentam os cofres da empresa. na verdade, o novo Sistema de Integração ACABOU COM A INTEGRAÇÃO.
Com esse novo sistema, o usuário que não tiver crédito no cartão terá que pagar o ônibus duas vezes, caso queira fazer a integração. Nesse sentido, os estudantes e trabalhadores serão grandemente prejudicados, pois como o trabalhador francano tem um dos piores salários do estado de São Paulo, é pouco provável que o mesmo não tenha créditos sobrando em seu cartão. Além disso, o emprego dos cobradores entrou em jogo. Ora, o objetivo da empresa São José, então, ficou claro: aumentar os lucros e reduzir os custos. De forma alguma é beneficiar a população. A empresa, ainda, não declara suas contas em nenhum lugar. Nenhum cidadão tem acesso aos lucros da empresa que, em tese, presta um serviço ao povo.
Outro motivo de indignação, o qual valeu uma reportagem do Comércio da Franca por esses dias, é a superlotação dos ônibus, principalmente em horários de pico. Sabe-se que o ideal seria que todos fossem sentados e transportados de forma digna e segura, uma vez que um carro, quando carrega mais do que a quantidade máxima de pessoas é multado (principalmente em Franca, onde se instalou uma verdadeira “fábrica de multas”). Alguns vereadores estão pedindo que a quantidade máxima de pessoas em pé no ônibus seja de 17. Porém, a base aliada do prefeito diz que essa medida é irresponsável, pois isso ou ocasionaria um aumento dos preços, ou as pessoas ficariam na rua esperando ônibus por não ter frota o suficiente para atender toda a população (????). Percebe-se, assim, que eles não planejam nenhum tipo de melhoria no transporte “público” e que, caso isso aconteça, o usuário será taxado de alguma forma. Vale lembrar que no próprio ônibus há um limite de pessoas que podem ser transportadas, o que quase sempre não é respeitado.
Temos que dar um BASTA, pois a principal beneficiada com o transporte “público” de Franca é a empresa SÃO JOSÉ, a qual, através do seu monopólio, eleva as taxas de forma abusiva (em Uberlândia, a qual foi submetida a uma onda de protestos que foram mostrados em rede nacional por causa do valor das tarifas, paga-se R$2,40 pelo ônibus; em Brasília, uma cidade muito maior que Franca, o valor máximo é R$3,00 e o mínimo é R$2,00; em Belo Horizonte a tarifa é R$2,45, sendo que alguns custam R$1,75). O francano não pode engolir a seco esse valor de R$2,65 que é cobrado pela SÃO JOSÉ, uma empresa que já esteve presente em algumas negociações estranhas que envolviam o prefeito Sidnei Rocha em 1989, quando o mesmo comprou a Hertz AM e FM, depois de fracassos administrativos na VASP e no SBT.
Quando o prefeito Sidnei Rocha tomou o cargo, o controle dos preços das tarifas e dos custeios da empresa São José era feito pela prefeitura. Hoje, a empresa tem a autonomia para adotar a prática que quiser, aumentando os preços de forma compulsiva. Isso ficou claro logo nos dois primeiros anos de governo do Sidnei Rocha: quando ele assumiu o cargo, a tarifa era R$1,60; no ano seguinte, foi para R$1,80; no segundo ano já era R$1,80 e, hoje, o valor exorbitante - comparado a outras cidades - de R$2,65. Esse aumento é injustificável, pois, no mesmo período, a inflação subiu por volta de 50% e o valor da tarifa mais de 65%. Não podemos permitir que esse “assalto” aos nossos bolsos continue, pois, a cada dia, o transporte coletivo de Franca fica mais longe de ser público. Outro fato o qual talvez nem toda a população esteja ciente é que o diretor da empresa, Belarmino Marta Júnior, esteve preso em Campinas durante um curto intervalo de tempo por suspeitas de fraudes em licitações. É nas mãos desse povo que está o transporte público francano. Não podemos os deixar agirem da forma como bem entendem.
Já que o transporte é público, o mesmo deveria ser GRATUITO. Essa é a bandeira que toda a população deve levantar e que os movimentos sociais desde sempre ergueram. É um caminho tortuoso, mas não é impossível, pois os trabalhadores e estudantes, que são os motores do desenvolvimento da cidade e os principais usuários desse serviço, devem ser tratados da forma como merecem, pois hoje o transporte coletivo de Franca serve mais para garantir lucros exorbitantes à empresa SÃO JOSÉ do que para beneficiar a população que não tem um meio de condução próprio para realizar as suas atividades. Em Maringá os estudantes e professores já tem o passe livre. Numa época em que a questão ambiental está sendo tão romantizada, será que não valeria a pena incentivar a população a usufruir do transporte coletivo? E o trânsito de Franca que anda tão caótico. O viaduto ajuda quem tem carro. Passe livre ajuda quem é pobre.


Fica aqui a música do Gabriel o Pensador, que talvez já foi postada uma outra vez nesse espaço

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Prenderam o Nem. Tô nem aí.

“E me vendem essa droga
E me proibem essa droga
Para os desavisados poderem pensar que o governo combate
Invadindo a favela
Empunhando fuzis
Enxugando dinheiro corrupto para a platina no nariz”


Edgar Scandurra - IRA



Prenderam o Nem.
Vitória da segurança pública? Talvez (na verdade, de forma alguma).
Hoje, vou deixar apenas uma reflexão, sem deixar de mostrar a minha visão sobre o assunto. Já havia outro texto pronto, o qual preferi não postar para evitar problemas e não sofrer ameças.

Vamos, então, ao assunto...
Com tantos usuários de drogas (ricos, pobres, gênios, bandidos, advogados, médicos, engenheiros, professores, famosos, etc.), pode-se, no mínimo, dizer que o tráfico é um mercado em potencial. Há desde gênios até indigentes que usam algum tipo de droga. Os principais favorecidos com o tráfico são os bandidos (dentre eles, policiais e políticos).
Certamente, os inimigos da segurança pública (Nem, Fernandinho Beira-Mar, entre outros) são contra a liberação das drogas. Cobrando impostos e exigindo legalidade nas vendas, as principais quadrilhas deixariam de agir. Isso é fato!
Não seria mais vantagem tratar assuntos como as drogas e o aborto, sob outra ótica? Creio que a eficiência seria bem maior se esses problemas fossem analisados como uma questão de saúde pública.
Enquanto esses pontos continuarem sendo alvo do moralismo cego do povo, não teremos uma educação e uma conscientização correta, e os usuários só vão saber dos danos do que usam ou fazem quando tiverem o primeiro contato.
A discussão é longa e muito mais complexa do que isso. Só acredito que criar rótulos e fazer críticas levianas está longe de ser o caminho correto. Como eu não escondo o meu ponto de vista, sou cristão e digo que sou a favor da legalização das drogas culturais, até porque não acredito que o homem tenha o poder de julgar ninguém.
E mais: na favela da Rocinha, o pedido do povo é o seguinte: “PAZ, COM JUSTIÇA SOCIAL” – o que estava escrito em algumas faixas que foram filmadas durante a ocupação da polícia no morro. Então, o maior desejo dos moradores daquele lugar não é que a polícia entre e capture os traficantes, mas sim que a insistente injustiça social seja erradicada. Até porque ninguém merece conviver lado a lado com uma das piores polícias do mundo.
Deixo hoje, em homenagem ao povo da Rocinha, o vídeo da música “Monstro Invisível” do grupo "O Rappa". A gravação foi feita na própria Rocinha.
"Outra epidemia desanima quem convive com medo" O Rappa

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

ENEM: qual deveria ser o verdadeiro motivo da revolta?


Mais uma vez o ENEM está em evidência. Talvez esse assunto esteja um pouco démodé, até porque a memória curta do brasileiro já deve ter virado essa página. Como é de praxe, de um lado está a fúria do povo e do outro a retórica dos políticos da base aliada do governo, o falso moralismo dos aproveitadores e a proposta firme dos sensatos. Nesse texto, comprometo-me a falar apenas sobre a sensatez dos que realmente acreditam que a educação é a base de uma nação que sonha em se desenvolver de forma sustentável.
Num momento como esse, quando ocorre o vazamento de questões e vários estudantes são prejudicados, um movimento irado toma conta das redes sociais: o descaso do governo com a educação. O questionamento que faço é o seguinte: então, como o problema pode ser solucionado? Todo bom brasileiro responderia que através de uma maior fiscalização o vazamento de questões poderia se tornar mais complicado. Será que realmente é essa a medida a ser tomada?
Não, o problema está muito mais embaixo. Como diz um poema de Carlos Drummond de Andrade, “os lírios não nascem da lei”. As nossas leis nunca foram eficientes e a fiscalização, além de corrupta, também não se mostra capaz de manter a ordem. Todos os políticos têm números bons em épocas de campanha e, em alguns momentos, quase somos convencidos de que houve diversas revoluções no que tange a educação e a saúde durante os governos que se passaram em todos os entes federativos. Todavia, a realidade mostra um cenário totalmente oposto.
 O motivo principal de protesto não deveria ser contra o vazamento de questões do ENEM, mas sim contra o descaso com o ensino básico e a escassez de vagas nas faculdades públicas. O Brasil ainda é um país que destina por volta de 5% do PIB à educação e 40% ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública (que ninguém sabe se existe e nunca foi feita uma auditoria para que a mesma fosse reconhecida). Não tenho receio em dizer que a preocupação com a educação do povo ainda está longe de estar num primeiro plano.
Para um país que pensa em se desenvolver, deve-se entender que a educação e a cidadania é o eixo estruturador de uma sociedade emancipada, envolvida no contexto político e que saiba participar de forma ativa de uma real democracia, na qual as pessoas tenham voz para que as suas demandas sejam atendidas. Por esse motivo, a campanha pelo investimento de 10% do PIB em educação é extremamente válida no cenário em que vivemos. Enquanto o paradigma do ensino não for totalmente modificado não seremos um país desenvolvido e, acima de tudo e principalmente, justo e solidário.
A UNESCO recomenda que o Brasil destine 6% do PIB à educação. Contudo, destinar 10% do PIB não é contrassenso. Tanto o governo FHC como o governo Lula e Dilma não aceitaram medidas mais arrojadas. Dizem que o Brasil é o país do futuro. Dizem também que o futuro da nação depende de uma boa educação. Pouco mais de 10% da população possui ou está fazendo um curso superior. Isso significa que apenas essa parcela da população terá esse belo futuro. Tudo isso porque o nosso sistema de ensino é excludente, e o vestibular é a prova real disso.
Você, que frequenta ou concluiu um curso superior, deve olhar para o contexto do nosso país e, ao invés de se orgulhar por fazer parte da pequena parcela que está na faculdade, se indignar ao ver que mais de 80% do povo não teve essa mesma oportunidade, e certamente essas pessoas que não tiveram acesso ao ensino superior poderiam colaborar para o desenvolvimento pleno da nossa nação. Afinal, não vamos pensar nos problemas apenas quando os mesmos nos atingem (não sejamos egoístas).
10% do PIB para a educação é necessário. O ensino, mais do que nunca, precisa ser democratizado. A nossa nação precisa se desenvolver de forma generalizada. Não apenas uma parcela, mas sim toda ela. De acordo com quem está no poder, nós somos um país credor. Vamos, então, lutar pelos nossos direitos!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O domingo. O dia comum. O fumo. O vazio. O tédio. A vida.

...sempre há um lugar melhor que o nada, porque é sempre melhor que estejamos em algum lugar...



Domingão. Um despertar pouco antes do almoço. Um almoço na casa da vó para quem não é vó ou na casa da mãe para quem não é vó, não tem vó e não tem que almoçar na casa da sogra. Um jornal. Fofocas. Outro cochilo no meio da tarde. Um cigarro. Um café e um pão com manteiga. Cerveja. O medo do próximo dia. Um retrato antigo na estante da sala. Lembranças. Pessoas que se foram. Nostalgia. Chegou visita. Visita indesejável. Visita desejável. Pensamento empreendedor. Oportunidades perdidas. Outra página do jornal da cidade. É sempre bom ver os classificados mesmo sabendo que não irá comprar nada. Talvez até ligue para um dos anunciantes. Coluna social. Preocupação com a vida dos outros. Tragédias – mortos e feridos. Outro cigarro. Mais uma cerveja que sobrou da noite de sábado (ah se fosse sábado!). O problema é que amanhã é segunda. Tédio.
O tempo é tão cruel que não tem como lembrar se durante a infância eu diferenciava os dias da semana. Estranho. É muita inocência não saber diferenciar o domingo dos outros dias. Ou ser inocente é acreditar que o domingo é um dia diferente? (“crianças fazem perguntas sobre tudo, mas nem todas as respostas cabem num adulto”). Não há motivos para haver tédio, afinal. Isso apenas porque os ponteiros do relógio estão andando – a única razão para não ficar parado (que deveria ser a suficiente).
O tédio é a miséria da vida. Deveríamos nos culpar por estarmos entediados.
Durante o seu tédio, pessoas precisam de um abraço.
Durante o seu tédio, muitos filmes ainda não foram vistos.
Durante o seu tédio, alguns livros deixam de ser lidos.
Durante o seu tédio, há protestos parados que por outros entediados poderiam ser mobilizados.
Durante o seu tédio, a sua voz pode ser o remédio para alguém.
Durante o seu tédio, você espera algo que nem você sabe o que é. E como eu digo em alguns dos meus versos, “quem vive sempre a espera de algo ou alguém, simplesmente corre o risco de esperar eternamente”.
Durante o seu tédio, a vida passa. A vida que se diz tão curta. A vida da qual você não quer abrir mão. A vida que só precisa ser vivida.
O tédio é um vazio. E um vazio pode e precisa ser preenchido. E se você se transborda, não cometa desperdícios. Sentimentos bons não podem ser restos. Divida-os com outras pessoas.
Dentro de um domingo pode haver um sábado. Dentro de um livro pode haver uma ideia. Dentro de uma música pode haver uma esperança. Dentro de uma cerveja pode haver um diálogo. Dentro de um cigarro pode haver uma paz. Dentro de um vazio pode haver um tédio, ou pode haver a vida.

Hoje, o vídeo é dos Paralamas do Sucesso (Soldado da Paz):
E o bom de viver é estar vivo
            Ter irmãos, ter amigos
            Vivendo em paz, prontos pra lutar"

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

VIVA A DITADURA DA MAIORIA! ABAIXO A DEMOCRACIA DA MINORIA!



O livre mercado, que é o princípio básico do Capitalismo, trata-se de algo legitimado frente ao conceito de democracia, cuja definição vem sendo explicitamente deturpada no cenário atual. Quando os preceitos dos primeiros pensadores liberais foram expostos, o equilíbrio natural da economia parecia a forma mais justa de se governar para o bem da maioria. Nesse contexto, a democratização dos direitos sociais dos cidadãos foi deixada de lado e a ideia da livre iniciativa passou a soar como a forma mais doce de dizer que uma nação usufrui a tão falada e desejada liberdade.
O assunto que será tratado hoje é acerca da ilusão do Estado Mínimo. De forma bastante simplificada e enxuta, o Estado Mínimo é uma resposta ao serviço público precário que é prestado hoje pelos órgãos e instituições governamentais. Nesse sentido, o Estado deixa de ser interventor e passa a ser apenas regulador. Os defensores dessa tese julgam o Estado como sendo demasiadamente ineficiente para atender as demandas da sociedade. Sendo assim, eles enxergam nas privatizações a solução para que os serviços sejam prestados de forma mais inovadora e eficiente.
A priori parece que tudo está certo e que não há nada a ser questionado. Ao invés do Estado investir dinheiro inadequadamente e movimentar ainda mais a máquina da corrupção – presença constante em entidades do primeiro setor (público) –, a iniciativa privada faz o que seria o papel do governo. O grande problema é que o equilíbrio e a justiça prevista pelos pensadores liberais não foram alcançados. Muito pelo contrário, é visível que quanto mais liberdade o mercado tem, mais injustiças sociais ocorrem (vale lembrar que estou falando apenas da liberdade de mercado).
Todos sabem que, hoje, o poder não está nas mãos dos governantes e nem dos seus partidos, mas sim dos latifundiários e das corporações. Isso ocorre porque a desigualdade intrínseca ao Capitalismo fez com que o mercado se colocasse acima de qualquer outra coisa do mundo, inclusive do governo. Percebe-se, então, que um Estado Regulamentador é, acima de tudo, um estado onde os direitos dos cidadãos são privatizados. Assim, a saúde, a educação, o meio ambiente, entre outras coisas viram objetos de especulação para o mercado capitalista (vide Brasil, que gasta por volta de 40% do PIB para sanar juros e amortizações da dívida pública).
Por esse motivo, pensar num Estado apenas regulamentando a economia e a sociedade não parece uma forma eficiente de democratizar um país, uma vez que, se o mercado aumentar o seu poder no cenário político, o Estado se fragilizará ainda mais e, assim, ficaremos totalmente nas mãos da iniciativa privada, a qual não tem outro objetivo que não seja o crescimento do seu lucro de forma exponencial. Desse modo, a barbárie se instala e a luta de classes, que alguns estão convictos que se extinguiu, vem à tona.
Vale pensar então de forma lógica: o setor privado jamais representará os interesses da coletividade, pois o princípio básico da economia é que uma alta demanda caminha junto com o aumento dos preços. Nesse ponto, ao privatizar os nossos direitos, a exclusão já é uma consequência imediata. Seguindo nessa lógica, um Estado democrático é aonde o governo se dá através do povo e segundo a vontade da maioria. Desse modo, a solução é clara: só haverá a democracia quando o povo tomar o poder. Quando o povo de Atenas definiu a palavra democracia eles estavam corretos em dizer que o governo deveria ser do povo.  Em contrapartida, o nosso erro é acreditar que esse sistema político institucional é democrático. O nosso Estado não é eficiente porque não é democrático. Um grande exemplo disso é o Código Florestal, reprovado por 80% da população e aprovado pelos nossos deputados.
        Sendo assim, não há mal algum em pensar num Estado interventor, desde que esse Estado seja representado pelo povo, ou melhor, seja verdadeiramente democrático. Enquanto não emanciparmos a população para que ela participe ativamente do contexto político, não há a menor chance de vivermos numa real democracia. Essa ideia de que o Estado só é importante para salvar os bancos em momentos de crise, como tem acontecido ultimamente, acho que historicamente mostrou-se ineficiente, principalmente para os pobres do Brasil e do mundo, que são os primeiros a perder os seus direitos quando surge uma crise, o que é muito comum e natural no mercado cíclico capitalista.


ESTADO VIOLÊNCIA (TITÃS), ÓTIMA MÚSICA PARA REFLETIR SOBRE O PAPEL DO ESTADO ATUAL:

"Sinto no meu corpo
A dor que angustia
A lei ao meu redor
A lei que eu não queria...


Estado Violência
Estado Hipocrisia
A lei não é minha
A lei que eu não queria..."


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

De Vinícius de Moraes: "O dia da criação"

Essa semana estou sem texto pronto, por isso vou deixar um poema do Vinícius de Moraes que eu gosto bastante, em homenagem ao sábado que tive com os meus grandes amigos.


I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.


Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.


Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.


II


Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado


III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens,
ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como
as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas
em queda invisível na
terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda
e missa de
sétimo dia.
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das
águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em [cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e [sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.




VÍDEO DE HOJE (aos meus amigos):

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"Os verdadeiros heróis são os guerreiros da vida"


É notório que, hoje, o auge da bondade é a pena, a caridade, a assistência aos necessitados. Acho interessante essa questão da compaixão. Contudo, poucos presam pela transformação estrutural da sociedade. É muito mais tocante o fato de ficar vendo durante duas horas no programa do Gugu, ele dar uma casa a uma família necessitada, como se isso fosse resolver o problema principal da família que recebe a casa, que é exclusão social.
Todos devem estar se perguntando: a transformação não é muito complicada? Não discordo de quem pensa assim e é por esse motivo que poucos se interessam pela mudança. Quem quiser mudar a sua vida e a dos outros de alguma forma, certamente, sofrerá sérios preconceitos de pessoas próximas e distantes, ou melhor, da sociedade como um todo, a qual é extremamente manipulada e oprimida. Será então que vale a pena ir à luta? Como já dizia um verso famoso do poeta Fernando Pessoa: “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.
As lutas pelos direitos das pessoas pobres, fazer com que o mundo seja mais igual, mais justo e mais solidário não são feitorias simples. Nessa guerra, todos devem ter objetivos mais ambiciosos do que qualquer outro que esteja contido nos pressupostos de sucesso do mundo capitalista. É muito mais difícil do que ficar rico, mais difícil do que ser famoso, mais difícil do que ter status, porém é a utopia mais magnífica, o sonho mais profundo e humano que um mortal pode ter é lutar por seus semelhantes, sem pensar em obter nada em troca, a não ser o sorriso e a satisfação de todos.
Como diz uma música do grupo “O Rappa”, “os verdadeiros heróis são os guerreiros da vida”. Portanto, ninguém pode encarar essas batalhas com o desejo de se tornar herói, mas sim de se recolher a pequenez do ser humano para perceber que a miséria só existe porque há pessoas que não reconhecem a nossa igualdade, pois todas as nossas vaidades vieram da terra e para lá voltarão.
Para você, que idealiza um mundo melhor: seja um herói verdadeiro, um herói das pequenas causas, um herói do cotidiano, um herói da família, um herói que perdeu várias batalhas por lutar pelas causas excessivamente humanas, um herói que lutou desacreditado contra males históricos, enfim um herói que nunca pensou em ser herói e que até lutou contra falsos heróis. Há tanta gente sonhando em ser um Eike Batista, ou melhor, em ser um herói das conquistas individuais. Pura mesquinharia!
E enquanto isso...

O Bono Vox uma vez fez um pedido a todos os líderes mundiais ao falar do homem que os EUA colocaram na lua: “não por o homem na lua, e sim trazer a humanidade toda de volta para a Terra”.
Não precisamos de heróis que implantam políticas assistencialistas ou que façam revoluções econômicas, nem de heróis que multiplicam as suas riquezas a todo segundo. Estamos todos carentes e sabemos disso. Precisamos de um pouco de humanismo em nossas vidas, não apenas de pena, de dó e de caridade. Estão faltando heróis que tragam com eles os anseios de toda a humanidade, que lutem pelos humanos, para os humanos e com os humanos. Enfim, precisamos da mudança e apenas nós podemos ser essa mudança, quiçá os últimos a terem a oportunidade de salvar o mundo desse estado de quase barbárie.
O vídeo de hoje é da música (ou hino) IMAGINE, do Jonh Lennon:


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"A juvetude é uma banda numa propaganda de refrigerantes"


A seguinte frase soa bem aos ouvidos de todos: “vivemos num mundo pós-moderno”. E o que seria necessariamente esse mundo? Como são as pessoas que residem nesse planeta no tal momento? O pós-modernismo significa evolução?
A superficialidade das relações humanas ultrapassa todas as fronteiras. Desde cedo, somos educados a pensar de forma programada. Não acreditamos no ser humano, na essência da vida. Acreditamos na propaganda. A propaganda é a alma do negócio. Quase tudo é um negócio no mundo pós-moderno. Logo, a propaganda é a alma de quase tudo. Temos que nos aparecer, dizer que somos bons em algo, enfim o “marketing pessoal” é fundamental. Somos produtos. As pessoas são produtos. Cada uma com seu ciclo de vida, mas sempre nos relacionamos por algum interesse.
Não tem como negar que estamos todos perdidos no sentido existencial. Se isso é falta de fé, de atitude, de vontade ou de qualquer outra coisa, cabe a cada um definir. A única coisa que faz sentido na pós-modernidade é estudar para trabalhar e trabalhar para ganhar dinheiro. Esse é o objetivo principal de todas as pessoas. Estamos em escassez de ideologias. Mas ideologias que vêm de dentro pra fora, porque de fora pra dentro muitas vezes é manipulação, é a propaganda que foi citada de antemão.
A conquista de bens e prestígio é algo determinístico na vida de todos. Comumente ouvimos alguém dizer: “o meu foco agora é a minha carreira”. Ou melhor, o objetivo das pessoas passou a ser apenas a conquista por um lugar no mercado. E todos aplaudem isso. Quanto mais você trabalha, quanto mais você recebe, quanto mais prestígio você tem, melhor você é. Por isso, não há tempo para ficar parado. Afinal, assim como a sua cabeça, o tempo também não para. Enfim, os instantes de reflexão sobre a nossa vida são raros. Por isso, esta perde cada vez mais o sentido.
E a cidadania? E a vida em comunhão? E a família? E os amigos de longa data?
Não vamos deixar a vida passar sem conversar com quem a gente quer conversar, sem fazer o que a gente acha justo fazer, sem amar incondicionalmente a todos. A comunicação é algo que foi bastante facilitado, ultrapassamos todos os limites geográficos para conversar com quem quisermos. Em contrapartida, nos conhecemos cada vez menos. Conhecemos cada vez menos profundamente as pessoas.
Somos superficiais porque nos rotularam. A propaganda é cada vez mais perversa e vem disseminando tudo que há de mais mesquinho no ser humano. Por isso, acreditamos que estamos no caminho correto. Contudo, deixamos de viver o que há de mais puro no ser humano: o AMOR. E a juventude é quem deve dispor dessa energia. Que tal nos amarmos um pouco mais? Ou seremos um motor para o amor, ou nos contentaremos apenas em sermos “uma banda numa propaganda de refrigerantes”.
Fica aqui um vídeo da magnífica banda Engenheiros do Hawaii; "Muros e Grades", uma canção com um conteúdo muito forte e atual:


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

MST: eles não vão invadir a sua chácara






A criminalização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e de qualquer outro movimento social é algo muito comum diante da parcialidade da imprensa. Não vemos falar sobre as revoltas estudantis que vêm ocorrendo no Chile, e quando há notícias, as mesmas são negativas.

Os movimentos recentes na Inglaterra também foram tratados com imenso descaso, sendo que aquelas pessoas da periferia estavam apenas lutando pela recuperação dos seus direitos básicos de cidadãos. Com o MST não poderia ser diferente.

A legitimidade desse movimento pode ser confirmada diante do seguinte aspecto: eles lutam contra um histórico mal brasileiro que é a concentração das terras nas mãos de poucos.

Todos sabem que a distribuição da renda no Brasil é algo medonho, tanto que esse assunto chega a ser até clichê. Contudo, poucos sabem que a distribuição das terras é algo ainda pior e mais assustador (1% da população é proprietária de 46% das terras). Na última década, a concentração de terras aumentou, assim como a quantidade de terras improdutivas (quem diria, hein, companheiro!).

Nesse contexto, é justo e até natural que haja um movimento contestador de todo esse cenário atual. A grande imprensa se encontra na mão de uma meia dúzia, e essa meia dúzia, se não é latifundiária com certeza tem “rabo preso” com algum (uns) deles. Consequentemente, a mídia é contraria às causas do MST. Daí a importância da manipulação.

A realidade é que a Reforma Agrária tem como objetivo a ocupação de terras especulativas, por isso, é pouco provável que os Trabalhadores Rurais Sem Terra ocupem o seu sítio e ou o seu rancho, então, não tenha receio e nem pós-conceitos fabricados de quem luta por justiça social.

Em todos os grupos (partidos, igrejas, empresas, família, amigos, etc.) há gente querendo “mamar na teta” de alguém, cargos aqui, benefícios acolá. Todavia, a luta do MST é obviamente justa e necessária para a VERDADEIRA democratização desse país que, infelizmente, ainda está nas mãos de latifundiários corruptos e sanguinários.

“O Brasil tem mais terra do que a china tem chinês, mas a terra tá na mão dos grandes latifundiários.
A reforma agrária, ninguém ainda fez.
Ainda bem que os sem-terra não são otários.
(E tudo que eles querem é direito a ter trabalho).”
Gabriel O Pensador


Fica aqui também um vídeo do fabuloso pedagogo Paulo Freire:



 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A Neoliberdade: quem está realmente livre?



Hoje, com o Capitalismo enraizado na mente de toda a população e com toda a força dos pensamentos liberais e neoliberais, a “neoliberdade” tomou um rumo diferente da liberdade que muitos falam há tanto tempo. Temos também uma contribuição negativa de alguns cristãos, inclusive, quando os mesmos agem baseados em um moralismo cego e ditador, mostrando que muitos, por não conhecerem verdadeiramente a Cristo, não sabem que Jesus não se mostrou moralista em nenhum momento, pelo contrário, sempre aproximou dos que viviam a margem da sociedade.
A liberdade não consiste apenas em comprar o que quiser, quando quiser e da forma como quiser. O brasileiro é um exemplo muito claro de que as pessoas de hoje acreditam que somos livres e que realmente vivemos num país democrático, com todas as pessoas participando das decisões políticas. O fato é que somos acostumados com muito pouco perto do que a verdadeira liberdade é capaz de nos proporcionar. E a única liberdade que temos é a da livre exploração, pois não é certo trabalhar dez horas por dia enquanto existe um mundo além do capital e do trabalho. O trabalho é digno, com certeza, mas a vida é muito mais. A  atual comoditização do trabalho é nítida. Hoje não nos formamos pela filosofia da profissão, mas sim pela aplicação mercadológica da mesma.
E o próprio sistema capitalista cria um paradoxo em torno da liberdade – que para os filósofos liberais é um dos princípios básicos do sistema capitalista - quando as mazelas geradas pelo capital e a sua má distribuição vêm à tona. A questão norteadora desse texto é que um país que garante todos os direitos fundamentais ao cidadão consegue, naturalmente, erradicar grande parte desses problemas ocasionados pela busca incondicional pelo capital. Todavia, o caminho mais fácil é sempre pensar no problema de forma pontual. Assim, nessa corrida para apagar incêndios, os prejuízos são grandes, os investimentos são destinados às melhorias e não à solução e a sociedade, em particular a brasileira, continua sofrendo com os interesses individuais dos detentores do poder se sobrepondo aos interesses sociais.
Enfim, as questões que ficam para ser respondidas são as seguintes: quando iremos ser realmente livres, tendo em mãos, pelo menos, o que nos foi garantido constitucionalmente? Quando essa briga política não irá mais girar em torno da politicagem de quem quer fazer média (PT vs PSDB)? Essa politicagem vai se transformar em políticas? Será que realmente estamos predestinados a viver em meio a esse histórico caos? Acredito que o mundo, em especial o Brasil, precisa de pessoas que pensem mais longe e que estejam realmente dispostas a quebrar esse muro que nos separa de nossas aspirações, pois o que “eles” querem é que continuemos acreditando que somos livres. A própria ciência política nos mostra alguns caminhos alternativos e o nosso conformismo é a máquina essencial para quem deseja que a nossa cegueira continue assolando as nossas concepções acerca dos verdadeiros significados das palavras política e LIBERDADE.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O shampoo e a liberdade


Eu estava tomando banho e deixei o cabelo por último...


... ao passar um shampoo na minha cabeça de um modo errado que é de mim, percebi que me limpei tanto por fora. Esse estranho fato levantou uma interrogação sobre a higiene que deveria adentrar sob a epiderme. O shampoo deslizava sobre o meu couro cabeludo. Eu consumia mais água do que acho correto. A oleosidade característica da minha pele e do meu cabelo fora retirada por algumas horas. Os meus olhos permaneciam fechados para evitar qualquer tipo de contato com o produto capilar. E algo me atordoava e me deixava angustiado.
Eu ainda estava sujo. Nunca tomei um banho tão demorado e me senti tão imundo ao sair do banheiro. Nem quando eu deixei até a minha bile no vaso sanitário. Esqueci de fazer barba. Esqueci de tampar o shampo. Naquele momento, na verdade, eu estava furioso com o shampoo. Por hora, pensei em defenestrá-lo.
...pensamentos contingenciais...
Tanta sujeira que eu devo ter guardado durante a vida. E como eu vou me limpar? Apenas sendo livre. E o que é ser livre? É destruir esse muro que me separa das minhas verdadeiras aspirações. E eu sei quais são as minhas aspirações? Infelizmente não, apenas da minha missão. E qual é a minha missão? Saber amar incondicionalmente.
...
Então, eu desisti de jogar o shampoo pela janela. Apenas fui até o banheiro, fechei a tampa do mesmo e vim até a sala de jantar para escrever esse desabafo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Os embalados modernos


Nós, brasileiros, vimos o controle da inflação e os pobres sendo anestesiados com alguns programas sociais nos 16 anos anteriores. Contudo, o povo continua analfabeto ou semi-analfabeto, os pobres morrendo sem atendimento médico e os banqueiros lucrando a cada dia mais. Como dizer que tivemos um governo eficiente após a ditadura, ou melhor, como alguém pode dizer que o sistema Capitalista é o melhor que já foi posto em prática até hoje? Quem acredita nisso vive assim como o saudoso Marx já disse em sua obra: dominado pelas mentiras descaradas das classes dominantes. É fato, é evidente, apenas os perdidos na caverna de Platão, na qual o Capitalismo os colocou, não conseguem avistar essa realidade.
Vou dar alguns exemplos de seres embalados:
Falam mal do Comunismo, sabe por qual razão? A imprensa de extrema direita e a ideologia norte-americana impõem isso às pessoas.
Falam mal dos mulçumanos, sabe por quê? Assim como os nazistas colocavam o povo contra os judeus, os norte-americanos manipulam o mundo contra o suposto “terrorismo” (vale lembrar que os EUA são recordistas em problemas com direitos humanos). Se você assiste aos filmes nazistas, xinga os torturadores e hoje comemora a morte do Bin Laden, sinta-se tão pobre de espírito como os militares que você tanto abomina nos filmes que assiste.
A Globo fala mal dos evangélicos e muitas pessoas os marginalizam. Sabe qual é o motivo? A Record é evangélica. Desse modo, muitos seres sobrepujados se esquecem da época da Inquisição ou nem sabem que a  mesma existiu e cometem calúnias mal estruturadadas ao falarem de um crente. Pura leviandade e desinformação.
Outro ponto que vale ser abordado é referente aos sonhos da sociedade moderna , os quais estão todos voltados para a sua realização profissional. Todos se espelham no Eike Batista, no Bill Gattes e em outras celebridades empreendedoras. Ou melhor, nos esforçamos ao máximo para deixarmos de sermos explorados e passarmos então a explorar.
Se para você, isso parece um discurso radicalista, seja bem-vindo ao grupo dos manipulados e embalados para o consumo, do qual eu faço questão de não pertencer.
Tudo que foi dito é uma simples questão de lógica, contudo uma lógica um tanto quanto utópica de acreditar que o mundo pode ser mais justo, mais igual e que todos tenham, ao mínimo, os seus direitos básicos preenchidos, como moradia, educação de qualidade e saúde pública. Apenas assim seremos verdadeiramente livres.
Ressalto o que já disse em outra oportunidade: vamos sair dessa embalagem rumo à liberdade!



segunda-feira, 27 de junho de 2011

O PARADOXO EDUCACIONAL: O SER HUMANO DEVE VOLTAR A SER HUMANO

Todos que têm uma memória menos curta, ou melhor, um pouco diferente do resto da nação brasileira devem se lembrar do Cristóvam Buarque dizendo em seus programas e debates das eleições de 2006 que a solução para todos os problemas do país é a educação.

E sabe o que toda a imprensa e boa parte do povo fazia? Debochava do que ele falava e o taxava como uma figura um tanto quanto caricata.

Contudo, concordo com o pensamento do Cristóvam, vistos alguns pontos que devemos considerar.

Quando falamos em educação devemos pensar o seguinte: quem a sociedade considera uma pessoa educada e o que é realmente um alguém preparad para a vida, ou melhor, livre em essência?
Grande parte das faculdades e dos cursos prepara as pessoas apenas para o mercado, isto é, para produzir e comprar o que foi produzido. Passou o tempo em que uma pessoa sábia era alguém que tinha certo grau de sensibilidade sobre a vida. Hoje, o que nós, administradores, chamamos de “empreendedor” é o ser mais respeitado entre todos os outros mortais.

A única liberdade que a pessoa garante ao terminar a faculdade é a livre concorrência. “O bom rapaz é o que tem um bom emprego”. “O bom cidadão é o que tem certo status”. “Músico é vagabundo”. “Pedreiro é uma profissão menos digna e merece um salário bem menor do que um juiz de direito” (não sei por que).

Essas frias e conturbadas relações e todas as mazelas sociais realmente estão relacionadas com a falta de educação da população. Todavia, vale refletir acerca da educação da qual a população está carente, uma vez que a sociedade capitalista e neoliberal não visa à criação de um cidadão formado, mas sim de produtores e consumidores formados.

Eis aqui o paradoxo do mundo moderno: nem mesmo os formados receberam uma educação adequada. Então, como todos terão acesso à educação de qualidade?

Eu tenho a solução: a educação tem que deixar de ser mais um mercado. A sociedade evolui muito mais em termos de avanços tecnológicos do que em questões sociais que deveriam ser a base de tudo.

Enquanto aceitarmos a retórica conservadora dos que brigam apenas pelo poder e que são movidos por interesses econômicos e não mudarmos totalmente a nossa forma de pensar, de votar, de viver e de se relacionar estaremos colaborando para que os nossos filhos vivam em um mundo imoral e talvez eles tenham que se corromper em meio à perversidade do cidadão moderno que segue encantado com todas as dádivas que o capital pode trazer.

Essa é a nossa educação! Estamos todos enlatados e manipulados a aceitar que essa é a melhor forma de viver. Vamos lutar para sair de dentro dessa embalagem enquanto há tempo. Vivemos de maneira insustentável, quiçá a história não aceite esse nosso modo mesquinho de acreditar que a melhor forma de ganhar é sendo o melhor, é quando outros perdem. Essa é a lógica da educação mercadológica que temos desde quando os nossos professores do ensino médio nos motivam a passar no vestibular.

Enfim, o ser humano deve se educar para voltar a ser humano.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Atrás da sua cortina pode haver um grão de luz

Você que lê algo invisível em todos nós

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que fala com o padre no confessionário

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que projeta as obras do futuro

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que reclama da corrupção

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que ainda é adepto ao Despotismo

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que assim como eu não sabe o que é Repristinação

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que acha que o modelo atômico não tem solução

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que acredita em vida fora da Terra

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que dança conforme o ritmo

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que cuida das pessoas

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que se baseia da Teoria da Conspiração

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que tem medo do aumento da inflação

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que censura toda forma de loucura

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que espera pela chegada de um príncipe encantado

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que encontrou o amor da sua vida

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que perdeu o amor da sua vida

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que não tem amor na sua vida

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que tem muitos sonhos

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que perdeu as esperanças

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que acorda na hora do almoço

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que é amante das madrugadas

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que adora ver o mar em sua frente

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que é do Carnaval

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que não gosta de injustiça

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que tem roubado tantos lares

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que sabe que vai continuar roubando

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que anda pelas estradas

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que ainda não tem carteira de motorista

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que acena para os outros

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que dorme sempre do mesmo lado

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que tem medo do escuro

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que é um tanto quanto histérica

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que ainda não sabe amar

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que quer aprender a amar

Coloque um pouquinho de amor no mundo

Você que foi esquecido nesse relato

Coloque um pouquinho de amor no mundo



Sobrará, então, amor no mundo?

segunda-feira, 21 de março de 2011

Não somos Deus, apenas achamos isso

É fato que as catástrofes naturais que acabaram de acontecer no Japão não se devem à interferência humana, pelo menos nada foi provado até o momento. Entretanto, pode-se notar que o poder de destruição da Mãe Natureza é algo assustador e, por essas e outras, o povo moderno que insiste em determinar o que fazer e o que não fazer, deve ter a humildade de se recolher a sua insignificância e agir de forma mais sensata, respeitando os seus limites, enquanto simples habitantes da Terra.

Surge então a questão: e onde está a culpa do homem no que ocorreu?

Evidentemente, os japoneses não são responsáveis pelo que ocorreu e, de forma alguma, o homem se verá livre de todos os males que hão de provir da natureza. O fato é que o nosso costume de consumir, lucrar, devastar e povoar exageradamente e ilimitadamente é fonte de vários danos a saúde e a vida de todos os seres vivos do planeta, inclusive do ser humano.

O que ocorreu no Japão, assim como o que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro, servirá, ao mínimo para mostrar a pequenez do homem perante algumas situações. Por essa razão, uma mudança real de concepção se faz necessária em todos os âmbitos da sociedade mundial, e mais especificamente, da brasileira, a qual ainda está muito atrasada no aspecto da consciência ambiental e do planejamento habitacional.

Caso isso não ocorra, obviamente sofreremos problemas provindos de forma direta e indireta da nossa ganância e da nossa falta de limites, decorrentes de uma ideologia doentia e capitalista. Cabe ressaltar que não estou culpando o homem pelos desastres do Japão. A intenção é apenas mostrar o quanto nós ainda somos menores do que ostentamos ser.

Enfim, sabendo da soberania da natureza, vamos tentar nos resguardar, lembrando que o pior ainda poderá vir. Talvez não para nós, mas sim para os nossos descendentes. A chuva que atrapalhou o Carnaval de muitos esse ano, certamente é muito pouco perto das mazelas naturais as quais ainda temos a possibilidade de presenciar.

Portanto, fiquemos atentos!

sexta-feira, 18 de março de 2011

sábado, 12 de março de 2011

A selva retida através do espelho

O apartamento é mortal
O aprimoramento é total

A superfície calada supervisiona acima da penúltima camada e permanece cansada
A lua apenas é um olho do céu que não vê
Crê?

quinta-feira, 10 de março de 2011