quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tira essa roupa molhada


A arte de ver nos olhos a luxúria do sentimento descaído de ser da pele em brasa. Caiu do alto do prédio e viu que a dor era mentira. Viu que a verdade era movida pelo aval do amor. Então, ele teve certeza que a felicidade morava no pomar do pássaro cor-de-rosa. Ele falou que os seus medos era o desejo de ter-lhes calado. Ele não tinha coragem para falar que o celular tocava pela madrugada.
Então, os calouros estavam em plena euforia, e ainda não era dia. O som ressoava como as aves que voam baixo. E a música tocava com os gritos de quem dominava a arte de ser feliz. Os sonhos estavam discretos. E, durante a madrugada, algumas estrelas cadentes iriam surgir. Os pedidos de quem esperava eram motivos de ansiedade. As dores de quem aguardava era a razão da esperança. A paciência de quem telefonava era a alegria de quem estava pra dormir.
E a menina tão sincera, apenas escutava a voz do garoto que começava a ficar no grau esperado. Todos que estavam de fora gritavam como se algo de importante tivesse ocorrido. De vez em quando, o sinal ficava um pouco falho. Quem estava a se comunicar, irritava-se. Maldita operadora!
Então, de dentro do seu quarto, ele tentava a comunicação. E ninguém o escutava.
O que será que aconteceu?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

as marcas no nosso rosto


As marcas no nosso rosto são como um papel de agulha
Os olhos do nosso braço são como uma agulha de papel
As sombras do nosso peito são como uma flor de lã
As dores da nossa mente são como uma lã de flor

Os ombros da nossa luz são como uma ceia
As marcas no nosso rosto são como um papel de agulha
Nos seios da face
Nos olhos fundos
Na boca sedenta
Nos lábios marcados
Nos cílios redondos
Na cabeça descansada
No cabelo bagunçado
E a velhice saudável
As marcas no nosso rosto são como um papel de agulha