quarta-feira, 20 de maio de 2009

EGOÍSMO – “Entre cobras, entre as sobras da nossa escassez”


Eis um assunto que parece tão simples, entretanto tudo que nos remete ao abstrato é muito complexo em sua essência. Daí a nossa necessidade de se preocupar mais com o que é intangível do que com o que é tangível. O que será tratado aqui é o fator egoísmo, o qual está presente nas relações familiares, na escola, nos relacionamentos amorosos, na faculdade, nas empresas e até entre os nossos políticos.
O dicionário de língua portuguesa de Silveira Bueno define o egoísmo como sendo um “excessivo amor aos próprios interesses, sem atender aos dos outros”. Após uma pesquisa na Wikipédia, vimos que o egoísmo é o hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona.
E o que será que é realmente ser um egoísta? Será que todas as pessoas egoístas sabem que realmente as são? Na verdade, eu não vou definir por mim mesmo o que é ser egoísta, pois seria egocentrismo exagerado da minha parte. Apenas quero criar uma discussão para a reflexão de quem venha a ler essas palavras.
Antes de expor qualquer opinião, quero deixar aqui o que a palavra de Deus tem a dizer acerca do egoísmo:
“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que diria o homem em troca da sua vida?” Marcos 8:36-37. Ou seja, o egoísmo pode destruir o ser humano.
“Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.” Tiago 4:3. Podemos concluir neste trecho que o egoísmo é o problema central entre as pessoas.
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” Gálatas 2:20. Assim, vimos que o egoísmo tem remédio, segundo o que está exposto na Bíblia.
Visto isso, fica claro que o egoísmo não pode ser considerado bom, em nenhuma situação, pois dependemos de muitos fatores para alcançar o sucesso e a felicidade sustentável. E o principal fator são as pessoas que convivem conosco e a nossa harmonia com as mesmas. Dizer que o egoísmo não é bom, realmente é bastante clichê, contudo, as pessoas, contaminadas pelo capitalismo, sempre pensam sobre si mesmas, sobre seus sonhos e suas vontades e, dessa forma, imaginam o mundo girando em torno delas, ou melhor, tornam-se egocêntricas. O grande problema de ser uma pessoa egocêntrica é que, geralmente, o egocêntrico é egoísta (quem quer que o mundo gire ao redor de si tende a lutar apenas pelos seus interesses).
Quando falo sobre sucesso e felicidade sustentável, refiro-me aos pilares desses êxitos, pois se os mesmos forem alcançados de forma errônea, tudo isso permanecerá na estrutura do que edificamos. Muitas vezes acreditamos que algumas atitudes ruins são encobertas com outras atitudes benevolentes. Assim, se imaginarmos um prédio que possui algumas pequenas trincas em sua estrutura, não poderemos desprezar tais trincas as quais podem ocasionar ou não o desabamento desse prédio. Os nossos êxitos podem ser vistos da mesma forma: devemos evitar o tipo de sucesso que não se sustenta, valorizando todas as pessoas importantes para alcançar nossos objetivos.
A questão é a seguinte: como não ser egoísta, alcançar o sucesso, ser reconhecido e ter destaque nos grupos dos quais fazemos parte? Afinal de contas para ter êxito não é necessário o crescimento individual?
A resposta para essas questões completa o raciocínio sobre os pilares do sucesso e da felicidade. Gosto muito de uma frase do Bono Vox (vocalista do U2) acerca do que está sendo tratado: “não acredite em excessos, sucesso é para ser dado”. Sem mais, quando, através do nosso sucesso, agimos em favor de outras pessoas, vários pilares nos sustentarão no topo. Cabe ressaltar que podemos alcançar o topo de outras formas, ou melhor, de formas egoístas, o problema aqui está em permanecer no topo.
“Então erguemos muros que nos dão a garantia de que morreremos cheios de uma vida tão vazia” Humberto Gessinger
Não podemos confundir os nossos aliados com bajuladores. Algumas pessoas selecionam quem pode colaborar para o seu crescimento individual e excluem quem “não pode”. Pessoas assim também podem ser consideradas egoístas, e de uma espécie ainda pior, pois usam outras pessoas para satisfação dos seus interesses. Isso também, além de abominável, é insustentável! Nenhuma família é bem estruturada só por causa de um grupo restrito, nenhuma empresa é bem-sucedida por muito tempo apenas devido a um grupo restrito. Todos os membros de qualquer grupo são importantes para o desenvolvimento do mesmo. Tudo o que consumimos tem um pouco do trabalho de pessoas que não tem nenhum conhecimento técnico. Respiramos o mesmo ar e vamos terminar na mesma terra.
A valorização da perfeição, dos excessos, das mentes brilhantes, dos gênios, o desejo de ser acima da média em tudo está deixando o mundo doente. Assim como diz a palavra: “não andeis ansiosos”. Não há necessidade de andar ansioso, pois o verdadeiro gênio não bajula ninguém e prefere manter-se no anonimato. Quem precisa se auto-afirmar, desculpe-me, mas está longe de ser genial. O gênio conquista multidões falando baixo e enaltecendo o próximo, pois se ele realmente tem a sua grandeza, o sucesso do outro não o rebaixará.
Vamos falar baixo, vamos observar o próximo. Há muita gente que passa fome, frio e morre em situações totalmente indignas. Muitos estão no submundo e ficariam gratos se cada um fosse um pouco menos egoísta. Pensar em nossa felicidade é imaginar a profissão ideal, o par perfeito, “um dia super, uma noite super, uma vida superficial”. Pensar na felicidade universal é ser menos egoístas e amar os amigos, os inimigos e os desconhecidos. Cabe a nós saber amar cada um da forma certa, pois no amor não há egoísmo.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

1º Concurso Literário - Revelando os poetas anônimos da UFU


Há algum tempo não publico nada aqui. Então, resolvi publicar algo que foi especial para mim: a minha poesia a qual foi uma das selecionadas no concurso de poesias da UFU e está contida no livro que comemora os 30 anos de federalização da Universidade Federal de Uberlândia. A obra tem o seguinte tema: "Experimentando a vida: cotidianos, esperanças e sensibilidades"

A LUZ DIÁRIA - Alex de Oliveira Dutra

Já me fiz da luz diária
Da forma simples de sorrir
A chuva fina me atrapalha
Molha meus sonhos
Vou partir
Dois caminhos
Uma vida, uma escolha
Sentimento jogado na pureza de uma criança
Amarga realidade, doce esperança

Amanhã, talvez, o Sol seja só meu
Venha forte para secar tudo que é seu
Trazendo a paz no horizonte
Antes de dormir atrás dos montes
Leve e limpo dará valor naquele instante